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Press release
Press|Health|Prescription / RX|Portugal|Portuguese

Cancro é a doença que mais preocupa os portugueses

30.12.2015

Portugueses defendem reforço de verbas para tratar cancro mas não querem pagar mais

O estudo “Os Portugueses e o Cancro”, realizado pela GfK, mostra que o cancro continua a ser a doença que mais preocupa os portugueses e que estes querem, por isso, mais dinheiro para tratamentos. Admitem também que têm pouca informação sobre o tema e que a rapidez do sector privado é cada vez mais um factor que valorizam.

O cancro é a doença que mais preocupa os portugueses, sobretudo por associarem este diagnóstico a uma taxa de mortalidade alta. Cancro é também a palavra escolhida pelas pessoas quando questionadas sobre a patologia que consome mais dinheiro no país. Apesar de terem esta ideia, os cidadãos consideram que a oncologia é uma das áreas que precisa de mais reforço de verbas. Porém, entendem que o aumento do orçamento deve ser feito com uma redistribuição do dinheiro actualmente existente, não estando disponíveis para pagar mais.

As conclusões, fazem parte do estudo “Os Portugueses e o Cancro”, feito pela GfK, que foi apresentado no dia 15 de Dezembro, em Lisboa, no âmbito do projecto Think Tank Inovar Saúde 2015, uma iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), com o apoio da farmacêutica Roche.

O director da GfK Metris, António Gomes, destaca que “não é por vontade dos cidadãos que o investimento em oncologia deverá abrandar”. Ao mesmo tempo que 59% das pessoas indicam a Saúde como a área em que consideram que é gasto mais dinheiro público (logo seguida pela Segurança Social e pela Educação), 83% defendem que é necessário ainda mais. Concretamente sobre o cancro, 59% das pessoas referem-no como a doença em que se gasta mais, seguida pelas doenças do coração e pela diabetes, mas 84% também defendem que as verbas ainda deveriam ser maiores. No entanto, só 15% das pessoas admitem estar “muito disponíveis” para pagar mais directamente para o cancro — até porque dizem já pagar impostos muito elevados. “Estamos a sair de uma crise a que certamente não será alheia esta falta de disponibilidade para um esforço adicional”, destaca António Gomes.

Entre os que estão disponíveis para pagar mais, a esmagadora maioria entende que o dinheiro deveria ser visto como uma espécie de poupança para o caso de virem a ter um cancro. A segunda resposta mais frequente aponta para que o dinheiro seja investido em instalações e equipamentos mais modernos, mas também no aumento do número de médicos.

Esta é já a terceira edição do Think Tank da ENSP. À semelhança dos outros anos, o inquérito conclui que o cancro continua a ser a doença que mais preocupa os portugueses. Ainda assim, há alterações. Depois dos tumores malignos (71% refere que é uma doença que os preocupa muito), as doenças do coração são as que mais preocupam as pessoas (48%), seguidas pelo Alzheimer (43%) e pela diabetes. Em 2014, no pódio estava também o ébola, que neste ano desapareceu totalmente da lista.

Concretamente sobre o cancro, 27% dos participantes têm esta preocupação com a doença por associarem os tumores a uma taxa de mortalidade elevada e 20% dizem que é por não ter cura.

Numa altura em que se fala cada vez mais da importância de os cidadãos participarem mais nas decisões na área da saúde, o estudo procurou também perceber a percepção sobre este tema. António Gomes sublinha “o grande bom senso” das respostas. Isto é, os portugueses queixam-se por não serem ouvidos e gostavam de ser auscultados, mas reconhecem que têm pouca informação sobre o assunto para irem mais longe e influenciarem, por exemplo, a distribuição das verbas. O desconhecimento está patente em algumas respostas, como a proveniência das verbas que pagam os cuidados públicos de saúde. Quase 80% dos inquiridos reconhecem os impostos como a principal fonte, mas 22% colocam as taxas moderadoras em segundo lugar — quando na realidade representam menos de 1% do orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

Os cidadãos estão, ainda, numa outra fase de procura de informação e, por isso, em 69% dos casos apontam a prevenção como a área sobre a qual gostariam de receber mais dados. Depois, 51% dos entrevistados destacam a informação sobre sintomas do cancro como aquilo de que sentem mais falta, seguindo-se os tipos de tratamentos disponíveis (47%) e as causas associadas ao aparecimento de vários tipos de cancro (41%). Talvez por isso, apenas 37% dos inquiridos dizem que gostariam de ter uma participação mais activa na distribuição do orçamento da saúde, sobretudo para ajudar a área a arrecadar mais verbas, mas também para saber para onde vai o dinheiro. Entre os 63% que dizem que não quereriam participar mais, quase metade defende-se justificando que não tem conhecimentos. Há ainda 15% de pessoas que reconhecem simplesmente que não têm interesse.

Outra das mensagens importantes está na percepção sobre a qualidade dos serviços. António Gomes explica que entre os inquiridos que já tiveram cancro ou que acompanharam de perto alguém conhecido há cada vez mais uma boa imagem do sector privado. A falta de dinheiro é, muitas vezes, o único motivo para os doentes ficaram no Serviço Nacional de Saúde — com a rapidez do acesso aos hospitais privados a ser cada vez mais entendida como uma vantagem. Ainda assim, a qualidade global do serviço de oncologia e a qualidade dos médicos do sector público continuam a ultrapassar a visão que os inquiridos têm do privado.

Fonte: Estudo GfK – Os Portugueses e o Cancro.

Top das 6 doenças que mais preocupa os Portugueses

Fonte: Estudo GfK – Os Portugueses e o Cancro.

Este estudo teve por objectivo auscultar a população portuguesa em geral sobre a temática do cancro, nomeadamente perceber a relevância do cancro entre os inquiridos, o acesso a cuidados de saúde e também percepções sobre o financiamento ou do papel da sociedade na área da saúde. Foi realizado um inquérito a 1207 portugueses com 18 e mais anos, amostra proporcional a esta população residente em Portugal Continental. A informação foi recolhida através de entrevistas directas e pessoais, realizadas entre 6 e 17 de Novembro de 2015.

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